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Requalificação dos Espaços

Armazém do Fogo

Situado no piso térreo do baluarte nascente, o Armazém do Fogo e Forte da Pólvora é constituído por um pequeno espaço à entrada e uma galeria abobadada em pedra com uma janela para o interior e outra janela com gradeamento duplo para o Terreiro do Poço.

O espaço encontrava-se praticamente intacto, mas com sinais de degradação. As pedras foram limpas, os rebocos substituídos e os gradeamentos recuperados. Foi instalada uma proteção em acrílico na janela exterior para proteger a sala do vento.

Neste local, é possível observar que os gradeamentos foram cortados de forma a poderem tornar-se amovíveis, o que permitiu o seu restauro. Este trabalho foi feito em todas as grades existentes na Fortaleza.

O baluarte nascente é um dos edifícios mais importantes da Fortaleza, pois existem evidências que terá sido construído sobre as ruínas do Forte de Ancua, uma antiga fortificação parcialmente destruída no dia 3 de julho de 1602, no decurso de um combate naval que decorreu na proximidade da Baía de Sesimbra, durante a guerra Anglo-Espanhola.

O Forte foi reconstruído, tendo sido mantido em funcionamento até 1641, momento contemporâneo do início dos trabalhos de construção da Fortaleza de Santiago, a qual, muito provavelmente, resultou de um reaproveitamento parcial da sua estrutura.

Na zona do Armazém do Fogo e Forte da Pólvora há um conjunto de elementos que deixam no ar esta possibilidade. É o caso de uma antiga muralha descoberta durante a obra, sobre a qual assentou o baluarte, uma abóbada de pedra, única em todo o edifício, e uma cantaria do século XVI.

O pilar em pedra, ao centro da galeria interior, terá sido construído depois da abóbada, para a suster, pois são visíveis deslizamentos das pedras que a compõem, que poderão ter sido originados pelo peso do piso superior.

Arrecadação das Munições

O espaço encontrava-se completamente irreconhecível pelas obras deadaptação a alojamento. A remoção dos elementos permitiu chegar à estrutura original.

Trata-se de um edifício fortificado, construído maioritariamente em pedra, com tetos em abóbada de alvenaria. Tal como acontece no baluarte poente, também aqui são visíveis os tirantes em ferro que estabilizam as paredes.

Estes elementos já existiam e foram apenas recuperados ou substituídos, quando necessário. Nas fundações do seu extremo nascente foram identificados, no decurso de uma intervenção arqueológica efetuada no exterior do monumento, tanques em pedra que integrariam a Fábrica Romana de Preparados Piscícolas, a qual laborou entre os séculos I a III d. C, bem como vestígios de uma estrutura portuária ainda mais antiga.

Átrio do Corpo da Guarda

A Fortaleza de Santiago possui apenas uma entrada, que dá acesso a uma divisão ampla, denominada Átrio do Corpo da Guarda, que por sua vez é aberta para o pátio interior. Por ser um local de passagem, este átrio encontrava-se bastante degradado, sobretudo ao nível do pavimento em calçada, devido à circulação contínua de viaturas.

A intervenção pretendeu manter a simplicidade e austeridade que caraterizaram o espaço, conservando, sempre que possível, os materiais originais, pressupostos que acompanharam o projeto.

Nas paredes, foi removido o reboco degradado e colocado novo reboco com composição compatível com o existente, solução que se utilizou em todo o edifício.

A calçada original foi levantada, limpa, nivelada e recolocada, tendo-lhe sido adicionado um passadiço em deck, que se prolonga pelo exterior, para facilitar a circulação, sobretudo de cidadãos com mobilidade reduzida.

Esta estrutura possibilita a entrada de veículos ligeiros no interior do imóvel e, ao mesmo tempo, permite a passagem de infraestruturas de forma segura sob o passadiço. Junto ao deck foi instalada iluminação ao nível do solo, que indica a zona de circulação e contribui para destacar os pormenores do espaço.

A porta de entrada, elemento simbólico e preponderante na fachada, foi restaurada, visto que se encontrava em boas condições. O teto, em madeira, mostrava sinais de degradação e teve de ser removido e substituído. Esta intervenção deixou à vista as traves que sustentam a Casa do Governador, no piso superior, uma vez que se encontravam em bom estado, foram tratadas e mantidas. A lareira que existia no local foi restaurada, tal como aconteceu com as molduras em madeira nos vãos das passagens.

Para além do deck, o único elemento novo é o armário de madeira que centraliza toda a infraestrutura técnica necessária às novas funcionalidades do  edifício. Sobre este elemento foi instalada iluminação indireta. Na ligação entre o Átrio do Corpo da Guarda e o pátio interior foram descobertos vestígios de uma antiga muralha, que pode ter pertencido à primeira estrutura da Fortaleza, ter feito parte de uma anterior fortificação existente no local ou, implesmente, ser o que resta de uma provável estrutura portuária que, possivelmente, terá sido construída durante o século XV ou inícios do XVI. Pela sua relevância histórica e arqueológica, foi mantido visível.

Calabouço

Tal como aconteceu noutros pontos da Fortaleza, o piso superior do baluarte nascente recebeu, a partir de 1938, um conjunto de alterações para o adaptar a casa de férias, e para que permitisse algum conforto a quem usufruísse deste alojamento.

Foram instaladas casas de banho, tetos falsos, instalações elétricas e divisórias que descaraterizaram por completo o espaço. A primeira intervenção levou à retirada de todos estes materiais para de seguida se proceder à substituição do estuque, tratamento das pedras de cantaria pavimentos e madeiras.

Casa do Forno

A Casa do Forno é a entrada do futuro Museu Marítimo de Sesimbra. Neste lugar foi instalado um elevador que permite o acesso de pessoas com mobilidade reduzida aos andares superiores, e constituía intervenção mais complexa de toda a obra.

Para que o impacto visual fosse reduzido, optou-se por um modelo com estrutura de vidro a toda a volta, instalado no centro da sala. Visto ser necessário vencer duas cotas, foi criado um sistema de plataformas que permite que o visitante chegue ao Museu, num primeiro patamar, ou à Casa do Governador, um nível acima.

Nesta sala foram identificados vestígios de uma antiga parede, alinhada com o restante edifício, o que demonstra que o bloco de entrada deste espaço, ligeiramente avançado em relação ao restante conjunto, foi acrescentado numa fase posterior.

Tanto os vestígios da parede antiga como a zona em que as paredes novas e as originais se juntam foram mantidas à vista, para que o público compreenda a dinâmica de um edifício deste género, e até que ponto uma intervenção arquitetónica nos pode dar elementos para compreendermos a história de um monumento.

Para tal foi necessário desviar o elevador da posição que tinha em projeto, centrado com a passagem da Casa do Governador. No mesmo espaço surgiu uma zona de cozinha, que provavelmente serviria o Quartel do Governador, equipada com um forno em tijoleira, que deu o nome à sala.

Casa do Governador

A Casa do Governador é o elemento central de todo o conjunto edificado, e o espaço nobre da Fortaleza. A dimensão das divisões e a qualidade construtiva, notória nas carpintarias, mas também pelo uso de artes decorativas nos acabamentos, comprovam-no.

Este edifício foi encontrado em muito mau estado devido, essencialmente, ao abatimento do pavimento em madeira, que teve de ser totalmente levantado e refeito, com reforço da sua capacidade estrutural, para anular irregularidades.

As molduras das portas, assim como os ornamentos dos tetos e escadaria mereceram uma atenção especial e foram objeto de um trabalho de restauro bastante cuidado. Pelos vários elementos decorativos que apresenta, é nesta zona que mais se destaca o tom escolhido para pintar as madeiras de toda a Fortaleza. Trata-se de um oxido de ferro de tom vermelho escuro, utilizado em edifícios militares e encontrado em várias peças originais da Fortaleza.

Um dos elementos mais valiosos da Casa do Governador é o oratório, cuja parte exterior foi abrangida pela obra de requalificação, mas as pinturas que se encontram no interior terão de ser sujeitas a um restauro cuidado, executado por empresa certificada para este tipo de trabalho. Na zona de fronteira entre a Casa do Governador e as Camaratas existia uma casa de banho que não fazia parte da construção primitiva.

A sua remoção permitiu desimpedir as duas escadas que compunham a ligação original entre os compartimentos, conhecidas através de plantas. Fugas na canalização das instalações sanitárias apodreceram quase por completo as escadas originais, que foram refeitas seguindo as indicações do que restava e de plantas antigas.

Casa do Trem e da Pólvora

Antes do início da intervenção, a zona envolvente ao baluarte nascente tinha um conjunto de pequenas construções muito degradadas que serviam de apoio a campos de férias.

Estas construções foram demolidas e deixaram à vista aspetos que, embora conhecidos, não estavam visíveis. É o caso do antigo paiol, situado no exterior, junto a uma das escadarias de acesso ao terraço central, o qual assumiu a função de armazenar a pólvora até ao ano 1831, momento em que foi transposto para o interior, por estar muito exposto aos “tiros do mar”.

Depois de retirados os entulhos foi possível identificar vestígios de fundações da construção primitiva, assim como os pontos onde assentariam as sulipas de madeira da estrutura.

O pavimento, irregular devido aos vestígios da construção, foi organizado com traves de madeira para permitir a circulação e ao mesmo tempo a observação destes pormenores.

Cozinha do Major

Nesta zona do Quartel do Major existia um conjunto de divisórias em tabique de madeira e pedra que foram sendo construídas ao longodos tempos, consoante as necessidades de utilização que a Fortaleza ia tendo.

Embora antigas, estas paredes não faziam parte da configuração original do monumento e impediam qualquer tentativa de utilização do espaço, pelo que foram removidas, dando lugar a uma sala ampla, como a que é referida nas plantas existentes.

O espaço é dominado por uma lareira, que, conjuntamente com um escoamento de águas, indica que aquela divisão terá sido a cozinha deste quartel. Note-se que embora estejamos perante uma única fortificação, havia vários quartéis e cada um tinha a sua messe.

Talvez por este motivo, mais recentemente, tenha sido instalada no mesmo local uma cozinha para apoio aos alojamentos de férias que se realizaram na Fortaleza desde os anos 30 do século XX.

Quartel do Ajudante

O Quartel do Ajudante faz parte do corpo central da Fortaleza, composto por uma linha de edifícios com caraterísticas civis, junto ao casco urbano, que serviria, essencialmente, como alojamento. São visíveis zonas de refeição, uma pia de despejo, chaminés e latrinas, que indiciam esta função.

Está situado junto à entrada da Fortaleza e é composto por dois pisos. No início da intervenção, o piso térreo apresentava duas divisões independentes com entradas pelo exterior, e o piso superior ocupava toda a área do edifício.

O programa inicial apresentado pela Câmara Municipal não previa que este espaço ficasse na posse da autarquia, contudo, quando se verificou a cedência total do monumento, o programa foi reajustado e criaram-se valências para os novos espaços disponíveis.

Tendo em conta a localização, muito próxima da entrada, e as caraterísticas formais, o Quartel do Ajudante foi destinado ao Posto de Turismo de Sesimbra. De todo o conjunto arquitetónico, foi o edifício que apresentou problemas mais sérios em termos estruturais, causados por um lençol de água que atravessa a Fortaleza no sentido da Rua Cândido dos Reis, e que, com o passar dos anos, fez com que parte da estrutura cedesse.

A falha era visível do exterior, sobretudo devido à inclinação acentuada das cantarias, que mesmo após a intervenção é notória. Para resolver esta situação foi necessário fazer o reforço de toda a estrutura com betão armado. Aliás, este é o único ponto da Fortaleza em que foi necessário recorrer a betão.

No interior, ligaram-se as divisões do piso inferior, para que o espaço se adaptasse ao programa previsto. Ao mesmo tempo, foram reconstruídas as escadas em madeira, tratado o pavimento de pedra, substituído o pavimento de madeira e restauradas todas as portas e janelas. As infraestruturas correm por paredes técnicas e pelo pavimento, solução adotada em todo o edifício, o que faz com que não estejam à vista dos visitantes.

Quartel do Major

Ao entrarmos na sala principal do piso térreo do Quartel do Majorapercebemo-nos de imediato que se trata de uma estrutura fortificada, de cariz militar.

A espessura das paredes, a preponderância da pedra e os tetos abobadados em alvenaria, suportados por um pilar, ao centro da divisão, marcam claramente a diferença para os edifícios centrais, onde as paredes são estreitas, os pisos divididos por madeira e a cobertura é tradicional, em telha cerâmica.

Outros elementos que prendem a atenção são os tirantes em ferro, que se prolongam de um lado ao outro da fachada e serve para estabilizar as paredes. Alguns já existiam e foram recuperados, outros foram substituídos devido ao seu estado de degradação.

Embora possam parecer meramente estéticos, continuam a cumprir a sua função e têm um papel importante ao nível da estrutura do edifício. Originalmente, esta primeira sala estava isolada, contudo, para tornar o espaço mais funcional, foi decidido fazer uma ligação à divisão contígua.

No decurso desta intervenção, encontrou-se uma caleira interior para escoamento de águas pluviais do terraço do baluarte poente, que seria também uma solução engenhosa para limpeza das latrinas. Para preservar este elemento intacto e visível, foi necessário alterar o local da ligação.

Este detalhe é um dos exemplos da forma como a preservação do edifício se sobrepôs sempre às funcionalidades previstas. Na mesma zona pode observar-se uma ligação anterior, feita pela GNR, aproveitando uma janela existente.

Refeitório

A zona do refeitório divide-se em dois espaços: uma pequena divisãoà entrada, onde nos últimos anos funcionou uma cozinha de apoio aoscampos de férias, e o salão, divisão estreita com teto em abóbada e janelas para o pátio.

A cozinha foi completamente desmantelada, ficando apenas visível a chaminé. Nesta zona, o pavimento original esteve coberto com mosaico e quando se procedeu à sua remoção verificou-se que a pedra original tinha sido picada para permitir a colagem desse mesmo mosaico.

O estuque da abóbada do salão foi removido, deixando a descoberto um aparelho de tijolo feito com técnica muito apurada. Apesar disso, não pôde ficar à vista pois tal opção contribuiria para a rápida degradação do tijolo. Optou-se por estucar todo o espaço, tal como acontece nas restantes divisões.

Galeria Salmão

A Galeria Salmão, cuja designação se deve à tonalidade das paredese tetos, foi um dos espaços que mais alterações sofreu nos últimos anos, com a construção de divisórias, casas de banho e tetos falsos, que pretenderam aproximar o espaço de um alojamento de férias.

Todo o desgaste provocado por esta utilização contribuiu para a sua deterioração. Durante a remoção de tetos falsos foi encontrado um pigmento no estuque, que se constatou fazer parte da primitiva construção.

A opção foi manter a tonalidade como referência a esse facto. Nesta sala são visíveis os tirantes de ferro que estabilizam as paredes do monumento.

Terreiro do Poço

Tal como acontecia com a zona da Casa do Trem e da Pólvora, este terreiro tinha um conjunto de construções degradadas e já sem qualquer tipo de utilização, entre as quais a lavandaria da colónia de férias da GNR, que não permitiam compreender o espaço.

O próprio poço, que neste momento está a descoberto, e que apesar de estar a poucos metros do mar há quem garanta que é de água doce, estava dentro de uma das estruturas existentes.

Todos estes elementos foram removidos deixando à vista o terreiro original, um espaço amplo, protegido a toda a volta pelas paredes do edifício.

O chão de calçada foi limpo, nivelado e coberto com uma estrutura de madeira que permite que possa ser utilizado para atividades de ar livre, sobretudo ligadas ao Serviço Educativo do Museu.

 

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