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História

Sesimbra

Inserida no complexo calcário da Arrábida, a vila de Sesimbra encontra-se implantada no limite meridional de um vale tifónico, resultante de 200 milhões de anos de formação geológica. As origens da sua ocupação humana remontam ao Paleolítico Inferior, (cerca de 500 mil anos), momento em que as primeiras comunidades se fixaram em torno dos cursos de água, aproveitando a riqueza dos recursos marinhos existentes.

A sua localização geográfica privilegiada favoreceu o desenvolvimento de uma intensa atividade ligada ao mar, nomeadamente no que se reporta à pesca, considerando tratar-se, a par dos do Algarve, do único porto do país virado a Sul, abrigado dos fortes ventos e tempestades que habitualmente se abatem sobre o território português.

Recortada por três grandes ribeiras de água doce, desde o período romano que as evidências arqueológicas suportam a existência de uma estrutura portuária ao centro da Baía, que se terá mantido até meados do século XX, momento em que foi construído o Porto de Abrigo, a poente da Baía.

Com uma vocação eminentemente marítima, desde tempos imemoriais que a pesca foi uma das principais formas de subsistência dos seus habitantes. Documentada desde a pré-história, será durante o Império Romano que esta atividade atinge um amplo desenvolvimento, facto documentado não só pela unidade fabril de preparados piscícolas, identificada em 2007 na Avenida da Liberdade, mas, também, através da recuperação, na zona do Cabo Espichel, de 55 por cento dos cepos de âncora em chumbo até ao momento identificados na costa portuguesa.

Em termos documentais, é no Foral de 1201, doado por D. Sancho I, que data a primeira referência escrita à prática da pesca na região de Sesimbra, quando refere que a taxa a pagar pelo pescado seria de 1 soldo.

A abundância de cardumes nas águas da região durante a Idade Média seria, pois, uma realidade atestada não só pela arqueologia, mas, também, por um documento de 1247, referente a uma avença entre o Rei e a Ordem de Santiago, que indica que até navios estrangeiros vinham pescar nas suas águas.

A partir do reinado de D. Dinis, com a introdução das almadravas atuneiras, e, em meados do século XV, dos acedares da sardinha, a indústria da pesca sofreu um amplo desenvolvimento, quer ao nível do volume de pescado, quer ao nível dos seus dividendos, considerando o estabelecimento de lucrativas redes comerciais em torno da mesma.

Até ao século XV, inícios do XVI, a vila localizava-se no interior do Castelo, tendo-se, com os alvores da modernidade, deslocado progressivamente para a frente marítima, passando a denominar-se Póvoa da Ribeira de Cezimbra.

O crescimento do aglomerado populacional de Sesimbra, tanto na zona ribeirinha como dentro das cercas muralhadas do Castelo, assentou na sua relação com o mar e com os proveitos dele retirados. Os séculos XV e XVI assistiram ao desenvolvimento urbano daquela que viria a ser a atual vila, fortemente influenciada pela expansão marítima e pela epopeia dos Descobrimentos.

Este desenvolvimento urbano materializou-se na construção de alguns dos mais importantes exemplos patrimoniais sesimbrenses, tais como a capela e hospital do Espírito Santo, de finais do séc. XV, a igreja Matriz de Santiago ou o edifício do Paço do Concelho, do segundo quartel do século XVI. A instituição em 1536 da freguesia de Santiago, e a realização das reuniões da vereação na povoação, após 1538, reconhecem importância e conferem à nova vila a sua primazia como sede do concelho.

Durante este período, também a exploração dos mares sesimbrenses sofre uma ampla expansão, mediante o desenvolvimento das artes de pesca, com particular enfoque para as armações fixas colocadas ao longo da costa. Em 1550, Sesimbra possuía, pelo menos, uma armação, a do Cavalo; duas em 1577, a do Risco e do Cavalo; cinco em 1610; duas em 1620, Risquo e Balieyra, e seis em 1636: Cavalo, Risco, Água Branca, Amea, Balieira e Abitureira.

Os elevados lucros auferidos por esta atividade, fizeram com que se sucedessem as investidas dos corsários às armações, não tendo, neste domínio, Sesimbra constituído exceção. Um documento de 1655, do concelho de Guerra de D. João IV, refere o ataque de uma armada muçulmana, composta por sete naus e sete lanchas, à armação da Baleeira, facto que fez com que o Sargento-Mor da vila, Luís Soares Barreto, pedisse auxilio ao rei.

A necessidade de defender o Porto de Sesimbra marcou permanentemente a sua paisagem: durante o século XVII, e no âmbito da Restauração da Independência de 1639-1640, é construída entre 1640-1648 a Fortaleza de Santiago, aproveitando uma estrutura preexistente. Da mesma época datam os fortes de São Teodósio do Cavalo, São Domingos da Baralha, Nossa Senhora do Cabo Espichel e S. Pedro da Foz que, sequencialmente de Sul para Norte, no sentido Sesimbra - Cabo Espichel, são marcos arquitetónicos que atestam a presença da Coroa ao longo da costa, defendendo-a.

Associada a este amplo desenvolvimento das atividades marítimas, também a exploração rural se intensifica, possuindo a zonal rural do concelho diversas explorações de cariz agrícola e pecuário, em parte relacionadas com o abastecimento das frotas.

Ao nível do culto, importa destacar que é durante o período moderno que se constrói o Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel, que atinge o seu esplendor máximo até entrar em declínio em inícios do século XIX.

Com a passagem para a contemporaneidade, o concelho de Sesimbra é afetado por vários eventos de ordem natural e social, que alteraram de forma indelével o curso da sua história.

Assistindo a um progressivo declínio das indústrias da construção naval e das atividades piscatórias, que acompanhou a própria conjuntura do país. Em 1807-1808, a região é invadida no decurso das invasões francesas, tendo o Santuário do Espichel sido saqueado, marcando este momento o início do declínio do seu culto.

Ainda antes do final do séc. XIX a população sesimbrense é, igualmente, flagelada por dois surtos epidémicos, em 1856 e em 1857.

A viragem para o século XX, marcou um novo fôlego para as atividades relacionadas com a pesca, mediante a introdução das “Armações à Valenciana”. Particularmente direcionada para a captura de sardinha, carapau ou cavala, permitiram a captura de cardumes em larga escala, tendo, em seu redor, sido criada uma rede de fábricas de conservação de peixe.

No que reporta à exploração rural do concelho, esta acompanhou o citado desenvolvimento, tendo, durante o primeiro quartel do século XX, sido implementada a moagem mecânica de cereais. Neste domínio, também a pesca sofreu um novo incremento com a construção, durante a década de 40, do Porto de Abrigo e a adopção do cerco americano, por intermédio das traineiras, arte que possibilitou a perseguição e captura de grandes volumes de pescado.

A viragem para a segunda metade do século XX é marcada pelo desenvolvimento do turismo enquanto atividade económica de relevo. A introdução do Big Game Fishing, no ano de 1954, por iniciativa de Manuel Frade, através de captura de um espadarte com 153 quilos, tornando-se no primeiro a bater um exemplar desta espécie no Atlântico europeu, bem como a construção do Hotel Espadarte, afirmaram Sesimbra enquanto um dos principais destinos balneares do país, realidade que se manteve até aos nossos dias.

É, também, durante a segunda metade deste século que os limites do concelho ficam totalmente definidos, com a criação, no ano de 1985, da freguesia da Quinta do Conde, que atingiu um dos maiores crescimentos demográficos do país e atualmente é a mais populosa do concelho, com cerca de trinta mil habitantes, dos quais cerca de 30 por cento têm menos de 30 anos. O seu amplo desenvolvimento económico e social garantiram, volvida uma década da sua fundação, o estatuto de vila.

Tendo-se afirmado enquanto área geográfica eclética, sede de uma identidade cultural única e excecional, Sesimbra é, atualmente, um dos principais polos de atração do país, não só pelas suas praias de águas límpidas, mas, também, pela oferta daquele que é considerado por muitos especialistas o melhor peixe do mundo, e de uma variedade de pontos de interesse histórico e natural. O Castelo de Sesimbra, a Fortaleza de Santiago, a Capela do Espírito Santo dos Mareantes, a Moagem de Sampaio, a Jazida de Icnofósseis da Pedreira do Avelino, ou Cabo Espichel, são alguns dos locais que atraem, anualmente, milhares de turistas nacionais e estrangeiros, e que tornam este num destino de excelência, de visita incontornável.

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