Em 1835, numa das primeiras iniciativas legislativas do governo liberal, são proibidos os enterramentos no interior de igrejas, prática comum até então, e é decretada a criação de cemitérios municipais.
A ordem não é acolhida em todo o reino, o que leva a que em 1846 seja formulada nova legislação. A decisão, polémica, gera tensão social e contribui para desencadear a famosa revolta de Maria da Fonte, em 1847.
No concelho de Sesimbra, o decreto conduz à criação do primeiro cemitério de cariz municipal nesse mesmo ano, no interior da abandonada cerca amuralhada do castelo. A partir dessa altura, os cemitérios passam a assumir um papel importante na vida das comunidades, que os encaram como recintos de culto e comunhão, onde os sentimentos pelos entes queridos são expressos, tanto pela forma das campas, como pelos textos epigrafados nas lápides.
Cemitérios tradicionais
Tanto as realidades culturais como a distinção entre classes sociais ficam bem patentes na organização do espaço. Assim, no mesmo recinto encontram-se desde imponentes jazigos familiares, muitas vezes desenhados por arquitectos de renome, a campas rasas, isentas de qualquer arte. Estes factores acabam por dar origem aos cemitérios tradicionais, que existem por todo o país, e que são caracterizados pela simetria das ruas estreitas e pela utilização da pedra decorativa, sobretudo mármore e granito.
Uma nova concepção
No último século, contudo, a evolução da sociedade originou novas formas de ver e viver os cemitérios, conduzindo a uma nova concepção, onde as memoriais campas de pedra organizadas em ruelas foram dando lugar a espaços amplos, normalmente ajardinados, nos quais não existem barreiras arquitectónicas, para facilitar a circulação, e se dá preferência à uniformização dos túmulos. A relva substitui as pedras decorativas, o que para além de originar zonas mais agradáveis reduz os encargos financeiros para as famílias. Por norma há ossários, zonas de descanso, sanitários e locais onde se pode proceder ao arranjo de flores.
Cemitérios municipais
Em Sesimbra existem quatro cemitérios públicos, cuja gestão é da responsabilidade da Câmara Municipal. O cemitério do Castelo, localizado dentro das muralhas, e actualmente em fase de desactivação, o cemitério de Santiago, na vila de Sesimbra, o cemitério de Aiana e o cemitério da Quinta do Conde. Os cemitérios do Castelo e da vila de Sesimbra são, naturalmente, os mais antigos do concelho e portanto seguem uma concepção tradicional. Os cemitérios de Aiana e da Quinta do Conde são equipamentos contemporâneos e apresentam um conceito inovador, em termos de gestão e organização.
Apesar das diferenças claras entre os dois tipos de equipamento, a Câmara Municipal tem tido o cuidado de proceder a melhoramentos que se adaptem a cada realidade e proporcionem melhores condições a todos aqueles que visitam estes locais.
Santiago

No cemitério de Santiago, a autarquia procedeu recentemente à renumeração dos ossários do corpo A e à substituição de todos os mármores da frente dos referidos ossários, uma intervenção orçada em 18 mil 650 euros. Foi também pavimentada a zona junto aos ossários do corpo I e prevê-se que as restantes pavimentações sejam executadas até final do ano. A construção de seis módulos de ossários junto ao limite norte, com 70 ossários cada, e o arranjo da zona envolvente aos mesmos será a grande prioridade para os próximos anos. A obra incluirá instalações sanitárias e balneários para os funcionários, instalações sanitárias para utentes, arrecadação e sala de tratamento de ossadas, melhoramento dos pontos de água e tratamento de flores.
Aiana

Em Aiana situa-se o mais recente cemitério do município, cuja arquitectura reflecte claramente uma nova forma de olhar estes espaços. Apesar de ser um equipamento novo, a Câmara Municipal tem feito vários melhoramentos, dos quais são exemplo a colocação de uma estrutura de ensombramento, a construção de 168 ossários, o arranjo do espaço envolvente ao módulo de ossários, onde foi colocada uma cortina verde, um espaço florido e respectivo sistema de rega, o melhoramento do pavimento, que passou a ser em calçada, e a disponibilização de regadores.
Quinta do Conde

O Cemitério da Quinta do Conde, a funcionar desde 2000, foi o primeiro do concelho a apresentar uma arquitectura contemporânea. Localizado na Estrada da Quinta do Peru, tem uma área de 21 mil 418 metros quadrados e actualmente apresenta 721 sepulturas ocupadas. Para além de diversas infra-estruturas de apoio, disponibiliza 200 ossários, que receberam melhoramentos recentemente.
Saiba mais
A inumação (enterramento) é efectuada através de requerimento dirigido ao presidente da Câmara Municipal num dos balcões de atendimento da autarquia.
A exumação é o processo de abertura de sepultura (temporária, local de consumpção aeróbia ou caixão de metal) onde se encontra o corpo. Pode ser da iniciativa municipal, por questões de gestão técnica do próprio cemitério, ou solicitada através de requerimento dirigido ao presidente da autarquia.
A transladação significa o transporte de corpo inumado em jazigo ou de ossadas para local diferente daquele em que se encontra, a fim de ser de novo inumado, cremado ou colocado em ossário.
Os compartimentos de ossários destinam-se ao depósito de ossadas após o processo de exumação. Podem ser também destinados à colocação de urnas com cinzas.
Horários
Santiago:
Todos os dias, das 8 às 17.30h
Castelo:
Todos os dias, das 8 às 17.30h
Aiana:
Das 8 às 17.30h
Quinta do Conde:
Todos os dias, das 8 às 17.30h
Serviços administrativos:
Freguesias de Santiago e Castelo, entre as 9 e as 12.30 e as 14 e as 17.30h
Freguesia da Quinta do Conde, entre as 9 e as 12 e as 14 e as 16.30h