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Personalidades

Século XVI

Sebastião Rodrigues Sermenho
Sebastião Rodrigues Sermenho nasceu em Sesimbra em data desconhecida, tendo-se destacado como um dos mais notáveis navegadores sesimbrenses.

Serviu os Reis de Espanha como piloto-mor nos Mares da China e das Índias Ocidentais e Orientais. A 21 de Março de 1954 partiu de Acapulco com a incumbência de descobrir um posto adequado para o abastecimento dos navios provenientes de Manila, nas Filipinas.

A 4 de Novembro de 1595 descobriu um cabo na actual costa da Califórnia, que baptizou de Mendocino. Seguiu para Sul, e três dias depois ancorou na baía a que deu o nome de S. Francisco.
Foi o primeiro navegador a ocupar as terras descobertas por Cabrilho, sendo provável que tenha efectuado o primeiro roteiro objectivo da costa Ocidental dos E.U.A..

Fez o seu testamento na cidade do México, a 12 de Fevereiro de 1602, mediante o qual ficou estipulada a doação de metade dos seus bens à Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra. Terá falecido nesse mesmo ano, na cidade do México.

Século XIX

Sande de Vasconcelos
António Maria de Sande Vasconcelos e Carvalho, filho do Capitão de Infantaria Sebastião de Sande Vasconcelos e Carvalho, Comandante da Praça de Sesimbra (Fortaleza de Santiago), nasceu em Sesimbra no ano de 1832.

A 6 de Outubro de 1853 tirou o curso de Guarda-Marinha na Escola Naval, que marcou o início de uma carreira de sucesso, onde sucedeu aos diversos postos até ao almirantado, tendo-se tornado no único sesimbrense a obter tão elevado cargo.

Recebeu diversas condecorações, de que destaca a de Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada, a da Ordem Militar de S. Bento de Aviz, e a medalha militar de ouro da classe de comportamento exemplar.

Faleceu na sua residência, em Lisboa, a 25 de Janeiro de 1927, aos 95 anos de idade, tendo contemplado no seu testamento a Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra, assim como os pobres da freguesia de Santiago.

António Pinto Leão de Oliveira
António Pinto Leão de Oliveira, filho de um modesto comerciante da vila, nasceu em Sesimbra a 1 de Janeiro de 1846, no prédio “Pinto Leão”.

Licenciou-se em medicina com honra e distinção, tendo aberto um consultório em Lisboa, na rua dos Fanqueiros, onde adquiriu grande prestígio entre as classes mais abastadas. Devotado republicano, fez parte da direcção do partido, onde desempenhou diversos cargos, tendo integrado a vereação Municipal de Lisboa em 1893. Foi um dos fundadores do jornal “O Século”, que deixou em 1894.

Faleceu em Lisboa, a 29 de Junho de 1898, com 52 anos de idade, tendo sido homenageado através da toponímia na Capital e na vila de Sesimbra, como reconhecimento pelos relevantes serviços prestados.

António Duarte Ramada Curto
António Duarte Ramada Curto, filho de João Rodrigues Curto e de Maria Cláudia Ramada Curto, nasceu em Sesimbra a 24 de Janeiro de 1848.
Em 30 de Julho de 1874 formou-se na Escola Médico-Cirúrgica em Lisboa, tendo sido nomeado facultativo do quadro de saúde de Angola, onde prestou relevantes serviços, que lhe valeram a promoção a chefe de serviços de saúde da colónia.

Foi nomeado por D. Luís com o título de Conselheiro, denominação com que acabou por ficar conhecido. Em 4 de Março de 1897, e entre 1904 e 1907, exerceu o cargo de Director-Geral do Ultramar, cargo equivalente a Ministro das Colónias.

Ao longo da sua vida desempenhou ainda funções de director do Hospital Colonial de Lisboa, director da Escola Superior de Medicina Tropical, Governador Civil de Lisboa, Secretário Geral do Ministério da Marinha, Provedor da Casa Pia, director e vice-presidente da Sociedade de Geografia, e membro da direcção do Jardim Zoológico.

Recebeu diversas condecorações, de que se destaca o grau de Comendador da Ordem da Torre de Espada, o mais alto galardão da época, tendo o seu nome sido escolhido para uma avenida em Lisboa e para uma rua em Sesimbra.
Faleceu na sua residência a 25 de Junho de 1921. O seu funeral contou com a presença do então presidente da República, Dr. António José de Almeida.

Século XIX/XX

Joaquim Marques Pólvora
Joaquim Marques Pólvora, filho de Joaquim Marques Pólvora e de Maria Josefa, nasceu a 1 de Janeiro de 1857. Durante 52 anos foi professor do ensino primário, tendo complementado a sua actividade como grande proprietário e agricultor na localidade de Azóia.

Foi membro da comissão organizadora da Associação dos Bombeiros de Sesimbra, instituição a que doou 10 réis, quantia avultada para a época.

Juiz de Paz, foi contemplado com as insígnias de Aviz, Santiago, Torre e Espada, e com a insígnia de oficial da ordem de instrução e benemerência, tendo-lhe sido atribuída uma pensão devido ao seu esforço e trabalho.

Faleceu a 1 de Dezembro de 1934, tendo, em doze de Setembro do ano seguinte, sido inaugurado um monumento em sua homenagem, através de subscrição pública, no Largo 5 de Outubro, em Sesimbra.

Dr. António Peixoto Correia
António Peixoto Correia, filho de Manuel Peixoto Correia e de Joana Peixoto Miranda, nasceu na freguesia de Santiago, Sesimbra, a 1 de Janeiro de 1867.

Formou-se bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra e foi deputado às Cortes durante as legislaturas de 1904 e 1905, tendo doado à Associação dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra 10 réis.

Morador no Largo da Igreja, em Sesimbra, exerceu diversas funções políticas ligadas ao município, tendo ocupado o cargo de presidente da Câmara Municipal, entre 1905 e 1907, e entre 1909 e 1910.

Desempenhou também funções como presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Sesimbra em 1908, ano em que foi criada a Fonte de Sesimbra, com o objectivo de resolver os problemas de abastecimento hídrico da vila e seus arredores. Faleceu em 1910 aos 43 anos, vitima de pneumonia aguda.

Joaquim Preto Brandão
Joaquim Preto Brandão nasceu em Sesimbra a 8 de Setembro de 1876, tendo desde muito cedo aderido à doutrina republicana.

Depois de implantada a República, fez parte da primeira comissão administrativa da Câmara Municipal de Setúbal, tendo colaborado com vários jornais, de que se evidencia o semanário “Folhas de Setúbal”. Foi eleito deputado pelo ciclo de Setúbal, onde se manteve até 28 de Maio de 1926, tornando-se no primeiro sesimbrense a ter lugar no parlamento republicano.

De entre os cargos que exerceu, destaca-se o de Provedor Adjunto da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, o de secretário do ministério de António Granjo, e o de secretário do Ministro do Comércio, Jorge Nunes, de quem obteve o diploma da criação do porto de abrigo de Sesimbra.

Foi homenageado em Setúbal, Sesimbra e Palmela, através da toponímia de ruas, tendo falecido em 22 de Outubro de 1927, com 51 anos.

Dr. Aníbal Esmeriz
Aníbal de Araújo Esmeriz nasceu em Braga a 3 de Abril de 1881. Licenciou-se em Medicina em Julho de 1907, tendo sido nomeado, em 1914, médico municipal do concelho de Sesimbra, função que exerceu até Outubro de 1918.

Nesse mesmo ano grassava em todo o país a peste pneumónica, que atingiu a vila de Sesimbra e fez inúmeras vítimas. O Dr. Aníbal Esmeriz dedicou-se ao tratamento dos enfermos, tendo salvo um grande número de vidas, nunca deixando de exercer medicina, mesmo após ser contagiado pela doença.

Faleceu em 20 de Outubro de 1918, vítima de pneumónica, com apenas 37 anos, tendo sido sepultado no cemitério da vila.

Foi homenageado a título póstumo, tanto na sede da Associação dos Socorros Mútuos em Lisboa, cerimónia que contou com a presença do Presidente da República, como pela Câmara Municipal de Sesimbra, destacando-se a sessão de 4 Julho de 1920, presidida pelo então presidente Abel Gomes Pólvora, durante a qual foram colocadas duas lápides na rua baptizada com o seu nome.

Manuel Fernandes Marques
Manuel Fernandes Marques nasceu em Sesimbra em 24 de Novembro de 1887, filho do professor Joaquim Marques Pólvora.

Licenciou-se em Medicina veterinária, ascendendo a catedrático da Escola Superior de Medicina Veterinária, em Lisboa. Foi o criador do “cinómetro”, aparelho destinado à medição de canídeos e destacou-se como o mais categorizado cinólogo português da sua época, com renome a nível europeu.

A partir de 1947 presidiu à direcção da Sociedade Portuguesa de Ciências Veterinárias e desempenhou funções como inspector sanitário da Câmara Municipal de Lisboa, tendo publicado diversos trabalhos sobre o estalão de raças portuguesas.

Por decreto de 20 de Janeiro de 1958 foi agraciado com o grau de comendador da Ordem de Instrução Pública, tendo oferecido, por altura da inauguração da Biblioteca Municipal de Sesimbra, a 14 de Dezembro de 1962, uma obra completa da enciclopédia luso – brasileira.

Faleceu em 1966, com 79 anos, na sua residência em Lisboa. Os seus restos mortais foram transladados para o cemitério de Sesimbra.

Século XX

Dr. Alberto Leite
Alberto Augusto Leite nasceu em Trouxemil, distrito de Coimbra, a 26 de Outubro de 1903, tendo-se formado em Medicina pela Universidade de Coimbra em Novembro de 1927.

Mudou-se para Santana, concelho de Sesimbra, em 21 de Junho de 1928, tendo casado com D.ª Maria Carolina Silva Passos a 14 de Junho de 1937. Foi médico na freguesia do Castelo durante 60 anos, 45 dos quais como médico Municipal e delegado de saúde.

Por ocasião da sua aposentação, em 1973, foi-lhe concedida a comenda da Ordem de Benemerência pelo Sr. Presidente da Republica, o Almirante Américo Tomás, por iniciativa da mesa da Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra e por proposta do Sr. Governador Civil de Setúbal.

Foi uma figura sempre indiferente à política partidária, tendo sido homenageado pela Câmara Municipal de Sesimbra, que deu o seu nome à rua principal de Santana, onde sempre viveu. Pelo seu prestigio foi visitado na sua residência pelo Sr. Primeiro Ministro, Prof. Aníbal Cavaco Silva, numa deslocação a Sesimbra, e homenageado com a medalha de ouro do Concelho pela Câmara Municipal de Sesimbra. Faleceu com 92 anos no dia 19 de Fevereiro de 1996.

Eduardo da Cunha Serrão
Eduardo José de Miranda da Cunha Serrão nasceu em Lisboa a 25 de Dezembro de 1906, filho de Eduardo José da Cunha Serrão e de Clementina de Miranda da Cunha Serrão.

Formou-se em Ciências Económicas e Financeiras pela Universidade de Lisboa, tendo trabalhado como economista nos Correios, Telégrafos e Telefones, actuais CTT.

Interessava-se por pintura e por arqueologia, tendo intervencionado diversos sítios arqueológicos. Entre 1955 e 1991 efectuou diversos trabalhos de âmbito arqueológico no concelho de Sesimbra com o apoio da Câmara Municipal, no decurso dos quais identificou e escavou estações que facultaram dados inéditos para a ocupação humana do concelho, de que se destacam as Lapas do Fumo e Bugio.

Em 28 de Maio de 1960 colaborou na fundação do Museu Arqueológico Municipal de Sesimbra, no interior do Castelo, tendo criado o Centro de Estudos do Museu Arqueológico de Sesimbra.

Entre 1961 e 1994 publicou diversas obras de âmbito histórico e arqueológico, de que se destacam Sesimbra Monumental e Artística e Carta Arqueológica do Concelho de Sesimbra, ambas editadas pela Câmara Municipal .
Faleceu em 1991.

José Augusto de Andrade Júnior (Zé Preto)
José Augusto de Andrade Júnior nasceu em Setúbal a 18 de Janeiro de 1920.

Ao longo da sua vida dedicou-se à criação literária, quer como dramaturgo, quer como novelista, reflectindo na sua obra a identidade marítima dos sesimbrenses, caracterizando um importante retracto da vila de Sesimbra durante a primeira metade do século XX. Faleceu em Lisboa, a 1 de Maio de 1948.

Rafael Alves Monteiro
Rafael Alves Monteiro nasceu em Sesimbra a 18 de Maio de 1921, no seio de uma família de modestos recursos.

A sua formação escolar limitou-se ao ensino primário, tendo terminado a 4.ª classe “com distinção”, em 1930. Trabalhou como ajudante-técnico de farmácia, funcionário público no arquivo municipal, representante e vendedor de óleo para motores de barcos, escrivão de uma arte de pesca, antiquário com estabelecimento comercial, entre outros. Contudo, grande parte da sua vida esteve sem profissão definida.

Deixou uma vasta obra escrita em diversos domínios, tais como a história, a filosofia, a arqueologia e a etnografia, tendo sido um autodidacta.

Faleceu no Sanatório do Barro, perto de Torres Vedras, a 20 de Fevereiro de 1993, com 72 anos, vítima de doença pulmonar prolongada. Foi sepultado na sua terra natal.


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