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Enquadramento histórico

A Memória e o Futuro

Os diversos fortes construídos ao longo da costa de Sesimbra no século XVII incorporaram os objetivos de uma nova estratégia de defesa costeira para controlo dos portos portugueses pela coroa.

Neste contexto, e no âmbito das medidas político-administrativas para a estabilidade da linha costeira levadas a cabo no reinado de D. João IV, foi edificada em pleno centro da Baía de Sesimbra, a Fortaleza de Santiago, obra dirigida pelo arquiteto e engenheiro militar de origem flamenga João de Cosmander.

Considerada como principal ponto da defesa marítima de Sesimbra pela sua relevância estratégica, a Fortaleza de Santiago chegou a albergar o governo militar da região, assumindo desta forma, nos alvores do século XVIII, o comando das fortificações costeiras desde a torre do Outão até à Lagoa de Albufeira.

O edifício apresenta planta poligonal estrelada, composta por corpo retangular central, em cujos vértices se adossam quatro baluartes triangulares. Os parapeitos encontram-se rasgados por canhoeiras, com guaritas cilíndricas nos vértices extremos, apresentando o pórtico da entrada uma pedra de heráldica estadual, contemporânea da fundação do edifício, representando o escudo francês e o português.

No interior, a fortificação conserva uma série de divisões, nomeadamente os diversos aquartelamentos, de entre os quais destacamos o Quartel do Governador e respetivo oratório privado.

Na primeira metade do século XIX, a Fortaleza foi abandonada pela guarnição, passando a partir de 1879, a albergar as instalações da Guarda Fiscal. Em 1886, o imóvel foi cedido à Alfândega, e já no final do século XX reverte para a Guarda Nacional Republicana.

Fortaleza de Santiago e Museu Marítimo de Sesimbra - O Futuro

A programação cultural de Sesimbra, na componente que diz respeito ao desenvolvimento de projetos museológicos, está diretamente associada aos conceitos de museu de território e de museu de comunidade. Neste contexto, a instalação do Museu Marítimo de Sesimbra na Fortaleza de Santiago assenta na relação dos grandes eixos território - património - população.

A distribuição funcional e temática da componente museológica da Fortaleza de Santiago

O concelho de Sesimbra, na sua estreita ligação ao mar, é necessariamente um lugar privilegiado para a reflexão e intervenção em torno da atividade dos museus e identificação, salvaguarda e divulgação do património marítimo e atividades piscatórias.

O desenvolvimento deste programa museológico tem vindo a ser estruturado em torno do envolvimento da comunidade e da abordagem museológica de novos espaços, que passam a fazer parte de um plano integrado de valorização da cultura marítima e piscatória.

A valorização e fruição do património cultural material e imaterial tem como objetivo a estruturação de um modelo de extensão cultural que promova o respeito pelos valores integrais da região, potencie o desenvolvimento local e, consequentemente, uma afirmação identitária.

A conquista de Faro, em 1249, representou o culminar da reconquista portuguesa, garantindo a estabilidade do território e da frente marítima do Reino. Nesta conjuntura, desvalorizado na sua função militar, estratégica, económica e administrativa, o Castelo de Sesimbra vai conhecer um progressivo esvaziamento urbano.

A dinâmica e desenvolvimento produtivo associado às atividades marítimas passou a ser o pilar do desenvolvimento local e a primitiva povoação medieval deslocou-se definitivamente do interior do burgo castrejo para a póvoa ribeirinha, transição legitimada em 1514, pela promulgação do Foral Novo, por parte de D. Manuel I, e, em 1536, com a criação da freguesia de Santiago.

Ciente da importância dos mares de Sesimbra, a Coroa Portuguesa auferia, durante o século XVI, grandes somas pelos impostos relativos à pesca, construção naval e comércio ultramarino.

Uma análise aprofundada à mais antiga planta de Sesimbra (1568-70) permitiu identificar um projeto para edificação de uma cidadela quadrangular, reforçada por quatro baluartes, a qual ficaria separada da restante povoação por um fosso, estendendo-se ao longo do areal um forte sistema amuralhado que englobaria toda a povoação.

Este projeto, que apresenta claros paralelos com o do Funchal, não chegou a ser realizado, à semelhança de diversos outros, considerando os elevados encargos financeiros que representariam.

1602 - Batalha da Baía de Sesimbra

Combate naval que decorreu na proximidade da Baía de Sesimbra no dia 3 de junho de 1602, durante a guerra Anglo-Espanhola. O confronto deu-se entre uma força naval inglesa, comandada por Richard Laveson e William Monson, ao serviço da Rainha Isabel I, e a frota espanhola, comandada por Alvaro de Bazan e Frederico Spinola.

Os ingleses saíram vitoriosos da batalha, afundando dois navios e forçando os restantes a retirar, destruindo parcialmente o forte de Sesimbra, inutilizando as suas peças de artilharia, e capturando a nau S. Valentim que acabara de regressar das Índias Portuguesas carregada de bens.

As carências defensivas da vila de Sesimbra são reiteradas numa carta publicada por Carlos Pereira Callixto, intitulada Advertência que D. Álvaro Pereira faz a Vossa Majestade sobre a fortificação e defesa da Costa de Sesimbra, Arrábida e Albufeira. Ao longo da mesma, D. Álvaro, nomeado Capitão-Mor da vila em 17 de junho de 1641, envia ao Conselho de Guerra, criado por D. João IV após a Restauração de 1 de dezembro de 1640, uma relação das condições necessárias para se proceder a uma conveniente defesa daquela área.

No que concerne à vila de Sesimbra, o Capitão-Mor refere que, na impossibilidade de fazer uma construção definitiva, mandou realizar no verão de 1641, ao longo da praia, um entrincheiramento provisório, "possivelmente apoiado no Reduto que existia no local onde, mais tarde, foi edificada a Fortaleza de Santiago", a qual foi parcialmente destruída durante o inverno.

A necessidade de levar a cabo uma reestruturação da defesa costeira, concretizada por D. João IV, na eminência dos ataques marítimos decorrentes das guerras com Espanha e Holanda, levou à construção de vários fortes na costa portuguesa, de que o Forte de Santiago consiste num dos mais emblemáticos e importantes exemplos.

Tal como anteriormente referido, a necessidade de proteger a costa portuguesa de eventuais ataques marítimos, após a Restauração de 1640, motivou a construção de pequenos fortes por todo o Reino. Será este o contexto da construção da Fortaleza de Santiago, ocorrida entre 1642-1649, sob traço do arquiteto e engenheiro militar neerlandês João de Cosmander (Hertogenbosh, 7 de abril de 1602 - Olivença, 20 junho de 1648), a qual resultou, muito provavelmente, do reaproveitamento das estruturas do antigo Forte de Ancua.

De acordo com a planta mais antiga da Fortaleza até ao momento identificada, datada de 1693, podemos observar que a estrutura é pautada pela dicotomia entre a área virada a mar e a área virada a terra. Se a primeira apresenta um ar eminentemente bélico, semelhante às edificações congéneres, a segunda tem um aspeto civil, indiciando a intenção de a dotar de um ar mais ligeiro e menos ameaçador para a população local, consistindo este aspeto uma verdadeira inovação para a época.

Durante o século XVIII a ala principal da Fortaleza serviu de cidadela real e residência de verão dos “meninos de Palhavã”.

Ao nível das reparações efetuadas no edifício, encontra-se documentada, no decurso dos estragos feitos pelo terramoto de 1755, a realização de obras de reconstrução da muralha norte, da porta de entrada e do quartel do Capitão-Mor.

Também em 1781 se encontra registada a caiação do lado norte da forte, tendo a cor de ocre sido substituída pelo atual branco. Ao nível da sua importância estratégica, a Fortaleza de Santiago, também denominada como Praça de Sesimbra, manteve, pelo menos até ao século XIX, sob a sua alçada os fortes de São Teodósio, Nossa Senhora do Cabo, Santa Maria da Arrábida e São Domingos da Baralha.

No ano de 1815, a Fortaleza encontrava-se então em estado de ruína, sendo, por esse motivo, necessária a quantia de um conto de réis para as obras de restauro, uma vez que as suas muralhas «apresentam grande perigo para as sentinelas».

Em 1831, a Praça de Sesimbra é descrita, pela documentação militar, como um «forte com uma bateria para a baía de 2 pequenos meios baluartes unidos por uma cortina, elevada acima da praia 3 braças, com parapeito de cantaria de 32 ½ polegadas d’altura. Do lado da vila estão os excelentes quartéis do governador, e mais edifícios, todos descobertos do mar. (…) Tem quartéis para 100 praças, ainda está o destacamento d’Artilheiro da Corte, composto de um Cabo e de seis Soldados. É governador o coronel Duarte de Mello da Silva Castro d’Almeida».

Durante o referido ano, a fortificação é alvo de nova intervenção, no decurso de um pedido do governador da Praça para «(…) a construção de um novo paiol nas abóbadas que ficam por baixo do cavaleiro, visto ser pequeno o que existe naquela praça, e além disso, está muito exposto aos tiros do mar (…)», o qual é deferido pela Coroa.

O último registo à existência de uma guarnição sedeada na Fortaleza data de 1846, tendo, no ano de 1879, a Guarda Fiscal ocupado as dependências. De acordo com as referências documentais, no ano de 1886, o forte terá sido cedido à Alfândega, encontrando-se, volvidos três anos, em avançado estado de ruína.

Em 1930, encontra-se documentado, no jornal O Cezimbrense, o avançado estado de degradação de uma das guaritas do forte, tendo, passados dois anos, o monumento sido alvo de obras de restauro, nomeadamente na Casa do Governador e numa das casernas, para instalação do Clube Naval de Sesimbra.

Em 1934, é iniciada uma nova campanha de reparação, uma vez que as muralhas exteriores se encontravam muito degradadas, ameaçando ruir, a qual se encontra concluída no ano seguinte.

A partir de 1938, com a inauguração da Colónia Balnear Infantil da Guarda Fiscal, foram efetuadas algumas alterações no interior do edifício, nomeadamente ao nível da construção de balneários e de tanques, estruturas totalmente desenquadradas da génese estrutural do edifício, cuja evidência chegou aos nossos dias.

 

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